A Onça-Pintada

(Panthera onca)

Captura de Tela 2020-11-20 às 10.00.57

Descrição

A onça-pintada é o maior felino das Américas,  e o terceiro maior felino do mundo, depois do leão e do tigre. A potência de sua mordida considerada a maior dentre os felinos de todo o mundo. 

Comprimento total: Até 2,70 m (máxima).

Peso: Entre 35 kg e 158 kg. As onças de áreas abertas, como o Pantanal, são maiores. As onças do Iguaçu pesam até 100 kg. Os machos são maiores que as fêmeas.

Dieta: De médios  mamíferos, répteis e aves até grandes animais como antas, queixadas, veados, jacarés, porcos-do-mato, capivaras.

Número de filhotes: 1 a 4, mas o mais comum são dois filhotes

Gestação: 90 a 115  dias.

Longevidade:  Vive cerca de 12 a 15 anos em vida livre. Em cativeiro podem viver bem mais, quase o dobro.

Onças fêmeas começam a se reproduzir com 2 a 3 anos de idade, e machos com 3 a 4 anos de idade.

 

A característica mais marcante da onça-pintada são justamente suas pintas. Possui pelagem amarelo-dourado com pintas pretas na cabeça, pescoço e patas. Nos ombros, costas e flancos tem pintas formando rosetas que têm, no seu interior, um ou mais pontos. Podem ocorrer indivíduos inteiramente negros, sendo esta apenas uma característica melânica da mesma espécie. Mesmo nesses indivíduos, na cabeça, na nuca e na cauda as pintas são sólidas (cheias), enquanto nos flancos elas formam rosetas com uma ou mais pintas em seu interior. O padrão de pintas é bastante variado e pode ser usado para identificar uma onça individualmente, como se fosse uma impressão digital. Na garganta, barriga e partes internas dos membros a pelagem é branca. Podem ocorrer indivíduos inteiramente negros, sendo esta apenas uma característica melânica da mesma espécie. Mesmo nesses indivíduos. No Parque Nacional do Iguaçu, até o momento não há registro de indivíduos melânicos. Outra  característica dessa espécie é que ela não mia como a maioria dos felinos. Assim como o Leão, o Tigre e o Leopardo, ela emite uma série de roncos muito fortes que são chamados de esturro, que podem ser ouvidos por quilômetros.

Ecologia e Habitat

A onça-pintada é ativa durante o dia e à noite, mas a maior atividade é noturna.

Onças são solitárias, geralmente macho e fêmea só se encontram para acasalar. Para evitar contato entre si, os machos esturram (rugem) para demarcar seu território. Eles também usam urina e fezes para essa demarcação.

Os filhotes nascem cegos e totalmente dependentes da mãe. Com duas semanas de vida eles abrem os olhos, e mamam até os 2 meses, quando começam a comer carne.

Geralmente permanecem no ninho por até 6 meses, quando então começam a acompanhar a mãe nas caçadas. 

Com cerca de um ano e meio a dois anos de idade os filhotes se separam da mãe e estabelecem seus próprios territórios.

Onças-pintadas têm uma dieta variada, que pode incluir de antas a rãs (Seymour, 1989), mas geralmente sua dieta consiste de vertebrados de médio a grande porte, incluindo: queixadas e catetos, preguiças, capivaras, veados, tatus e até mesmo jacarés (Azevedo 2008; Cavalcanti & Gese 2010; Dalponte 2002). No entanto quando o número destes animais diminui, geralmente por alterações ambientais provocadas pelo homem, as onças podem vir a se alimentar de animais domésticos e por esse motivo são perseguidas (Azevedo & Murray 2007; Michalski et al. 2006, Silveira et al. 2008).
Os machos e as fêmeas encontram-se apenas no período reprodutivo. A mãe cuida do filhote até que ele complete cerca de dois anos e neste período o ensina a caçar e a sobreviver.

Conheça algumas onças do Iguaçu

Monitorando a População de onças-pintadas do Iguaçu

Desde 2009 são realizados censos bianuais das onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu. Os censos são realizados simultaneamente no Brasil e na Argentina (Proyecto Yaguareté).

Desde então, a população tem dado sinais de crescimento.

A estimativa do último censo, de 2018, é que existam cerca de 28 onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, e 105 em toda a região do Corredor Verde, que engloba a Argentina.

Crescimento da população de onças-pintadas do Parque Nacional do Iguaçu
Crescimento da população de onças-pintadas no Corredor Verde

Status e Distribuição

No Brasil a onça-pintada está listada como Vulnerável, mas seu status de conservação varia em cada bioma. Na Mata Atlântica a espécie está criticamente ameaçada. Estima-se que uma redução populacional de pelo menos 50%, provavelmente mais próxima a 87-90%, ocorreu nos últimos 10-15 anos na maior população de onças-pintadas da região do Alto Paraná.

A espécie já perdeu cerca de 50% de sua área de distribuição original (Sanderson et al. 2002), e atualmente é encontrada do norte do México a noroeste da América do Sul, leste do Peru e Bolívia (leste dos Andes), por todo o Paraguai e Brasil e norte da Argentina. (Desbiez et al. 2013).

Originalmente a distribuição deste animal se dava desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Agora onças estão oficialmente extintas nos Estados Unidos (alguns indivíduos ocasionalmente cruzam a partir do México), mas ainda pode ser encontrados na América Latina, inclusive no Brasil. De maneira geral, porém, suas populações vêm diminuindo onde entram em confronto com atividades humanas. No Brasil ela já praticamente desapareceu da maior parte das regiões nordeste, sudeste e sul (Sanderson et al. 2002; Torres et al. 2008).
Ocorre em vários tipos de habitat, desde florestas como a Amazônica e a Mata Atlântica, até em ambientes abertos como o Pantanal e o Cerrado.

Na Mata Atlântica a espécie está criticamente ameaçada. A situação da espécie é tão grave neste bioma que a estimativa é que existam menos de 20% de remanescentes adequados para sua sobrevivência (Ferraz et al. 2012). Restam menos de 300 onças no Bioma, e que poucas sub-populações tenham mais que 50 indivíduos, que é considerado o número mínimo viável de uma população.

Estima-se que uma redução populacional de pelo menos 50%, provavelmente mais próxima a 87-90%, ocorreu nos últimos 10-15 anos na maior população de onças-pintadas da região do Alto Paraná.